terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Ode das mil letras

Rompante ígneo
Furacão de cores
É minha dor
Que lhe envolverá e engolfará em chamas e rochas
Sua vil milícia

Meus cães lhe roeram os calcanhares
E as garras das criaturas que conheço romperão seus tendões
Num estalo tão alusivo que a própria morte se afastará de ti
E você permanecerá inerte entre a barreira dos mundos

Vulnerável o bastante para que o metal atinja seu espírito
Tolo o bastante para se opor a luz que se irradia todas as manhãs
Minha mãe e meu pai são esse solo, o tempo soprou meus ouvidos até que pudesse caminhar
E conhecer os livros e folhas que sustentam as músicas dos relâmpagos

Afastei-vos, ante nossa bandeira

Ouçam meu chamado meus irmãos
Aproximem nossa ilha, nossos canhões
Distintos como o gelo das profundezas da terra e o vapor quente das montanhas
Nos unidos podemos ultrapassar o limite de vossa sanidade
Arrancaremos a carne de teu corpo e a devolveremos ao grande fluxo que tudo percorre

Meu espírito ruge
Tenho a visão e o brilho
A sensação e o instinto

Rasgarei tua vontade
Quebrarei teu poder em mil pedaços
Esta luta não é só minha
Criação e filhos partilham dessa vontade

Somos além da explicação
Somos o mais complexo paradoxo

Meu passo é profundo
Sinta o medo ruir com força das explosões

Somos ousados e prudentes
Rebeldes e indolentes
Punhos, sangue e dentes
Somos todos filhos de uma entidade dormente
Irmãos da flâmula da aurora espectral

Corpo e espírito da Revolução Mágica
Brados e gritos somados
Ouvi meu irmão o chamado
E vislumbre-se diante da esperança devastadora
De todos nós, a verdadeira força
A Vanguarda Digressora.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Fountaine

Quando todas as criaturas da terra se reunirem
Quando todos os seres mágicos fizerem um congresso
Quando toda a tristeza da terra sair em recesso
Então vocês enxergarão a verdade

Quando todos os vampiros entrarem no vale
E todos os livros baterem páginas pelos ares
Quando todas as baleias voarem
Quando todas as pedras cantarem
Então vocês ouvirão a verdade

Quando toda a imundice humana escorrer para dentro
Quando todo o espaço-tempo parar, repensar e entrar no convento
Quando toda faca for leite materno, quando todo abraço for sereno
Então quando todo som for silêncio, vocês sentirão a verdade

E quando a manada toda parar
Quando as roupas estiverem sujas demais pra rasgar
Quando toda vela for pura demais para queimar
Ai então, todos dirão.
A verdade

Até lá, ela ainda se esconde,
Confesso.
Debaixo da insanidade desses versos
Numa árvore de criatividade e progresso
Ainda mantendo o processo
Que faz toda criatura viva germinar
A verdade vive.

Nos meus olhos.
E no sentido de todas as coisas.
A verdade se move como as horas
E consome tudo e devora a todos.
A verdade se aproxima de você.
Já está em seu espírito e lhe consumirá.

Somente ela, a verdade poderia ser profeta do próprio destino.

E somente ele, poderia proferir a ela a verdade sobre tudo além.

A verdade vive.
Queima nos seus olhos.
No meu espírito.
A verdade.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Aviso aos navegantes

Tem tempos que sou assim
Que estou perto, mas distante
Que estou longe, vociferante
Nadando entre as estrelas do cosmo e além

Como a grande A’tuin, como Rasputin,
Aniquilando as quimeras do passado
Decifrando enigmas de górgonas e seus vassalos

Sou eu.
Constelação austral
Aurora boreal

Tem tempos que sou assim
Que pego minha amada e a levo para longe
Para além daqui, pelo poço perto das amoreiras
E vamos para o lado de lá, conversar com entidades amigas

Conhecer nosso passado
Eu vou estreitar meus laços
Comer torradas estrangeiras noutro condado

Sou eu.
Sem muito problema de compreensão
Sem dilemas de moral de ficção

Meu clã conhece e sabe,
Meu irmão pastoreia os rebanhos
O mais novo reúne as cargas
O mais velho poda as árvores
E outros são viajantes como eu...

Sigo para a terra das montanhas
Para as terras escuras
Pelo caminho puro.

Sou eu.
Viajante de tempos em tempos.
Então não digo nada.
Eu me conheço...

Meu coração é feito de pedras que movem
De amor pela minha esposa
E das vontades do reino de amanhã.

Não devo nada aos pedintes
Nem satisfações aos que tem pensamento
Sou obra de meu próprio artífice
Sou um cão sem condenamento.


Meu uivo reverbera alto
Sou ancestral do meu próprio sentimento
Meus pelos são rubros sobre o queixo
Minha alma é afiada por dentro

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Retórica de Fliperama

Ouça os Sons que reverberam
Ouça os Sons que reverberam
Ouça os Sons que reverberam

A imagem fala e cala
A imagem grita e mente
A imagem fria e quente
A imagem solamente

Ouça os sons
Que reverberam
Ouça os sons
Ouça...


Estão lavando os seus cérebros com água mineral
Que tem sabor de fruta levemente gaseificada
Que coça seus neurônios enquanto tu não faz mais nada

Padronizaram tua forma de pensamento
Seus piercing no septo e o seu par de all star preto
Vem me dizer que é alternativo e super antenado
Me olha torto porque estou de bermuda e agasalho
Ou é o meu chinelo e cabelo sem franjinha?

Ou é minha camiseta que não tem suas listinhas?
Seus verbos e estrangeirismos, que todos eu dispenso
Ou seu excesso de brasilidade para todos os momentos

Sua mpbzice toda cheia de pirraça
Ser cult é ser otário sem usar roupa de marca

Agora vai vir com seu questionamento de moral
Dizendo que sou mano, de calça bag e falo errado
Mas não sobrevive dois minutos no beco que fui criado

Então toma tua linha e vê se volta pros jardins
Tira seu goticismo depressivo do campo belo
E vai morrer na augusta a suas custas só farelo

Tira sua onda de malandro de Itaquera
E sua roupinha de skatista Ibirapuera

De otaku da liberdade
De operário do Ipiranga
De burguezinho do ABC
De moça hippie com missangas

Eu não sou como vocês que vivem nesse abuso
E se calam, e se ladram, e não causam nenhum tumulto!

Não sou punk, nem socialite, imigrante ou exilado
Mas sou único ao deixar o meu recado
Sou aquele desconhecido subestimado
Sou um rebelde bem ordenado
Sou tudo isso que você leu e mais um monte que ficou guardado...

Ouça os sons que reverberam
Ouça os sons que reverberam
Ouça os sons que reverberam


Meu reino é o reino das feras...
Na esfera das idéias...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Deixe seu recado após o sinal... tuuuuu!

Turbilhão de devaneios
nada mais me foge
turbilhão em doses turvas
e tudo mais que me consome...

Se houvesse algo no meu crânio
passível de extração
seria um rugido rouco
descontrolado eloquente e devasso

Nunca me pus mais inteiro
sempre montado de cacos
Nunca fui tão verdadeiro
Como cartola de mágico

Sempre adorei a estética
de versos dividos em quatro
não há forma poética
em que eu não lhe encontre espaço

Minha alma, alma minha
outrora distante e bela
no momento é tão vazia
quanto de abelha colméia

Sou assim nesse instante
e no outro assim quem sabe

Já comi sucrilhos com leite
e engoli lágrimas com saudade

vendi frutas frescas na feira
embrulhadas em meias verdades
já vesti meias de seda
com all stars de caridade

A que maravilhosa verborragia
Poética e dôdecafonica
tão grande quanto exposição do MAM
tão pequena quanto a tabela periódica.

Então se me permite, vou encerrar com um versinho
com estética bem diferente, de todo o que já foi redigido
ele diz em sons bem profusos tudo aquilo de carce
ele me dá cáries areas em pensamentos vorazes

yaverbrandertorstk yeavarbandertorstk rush o flower god
great oath of winter
great king of north
yaverbrandertorstk yeavarbandertorstk

tanám...

sanidade?
não faz o menor sentido

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Esperich

River river river river river river river river river river river
River plate river flows river mate river goes
River river river river river river river river river river river

Sun sun sun sun sun sun sun sun sun sun sun sun
Straight ahead like a bookstore of smells
Like a package of an old crew
Like a melon lollipop
Like a candy hotspot
Sun sun sun sun sun sun sun sun sun sun sun sun sun sun

Ninguém nunca entende as mazelas da lua
Ninguém nunca entende a verdade que é crua
Ninguém nunca assimilia
Ninguém nunca da conta
Ninguém nunca se admira
Ninguém nunca se espanta
Ninguém nunca morreu
Ninguém nunca levante
Ninguém que nunca leu
Ninguém que nunca canta

Entender as formas poéticas de maneira estética
Numa ordem que se estabelece através de um processo complexo de construção
Das estruturas da sonoridade e da sintaxe vazia de eixos
Compreender a suave diferença entre um torço e um seixo
E as minúcias do novo uniforme do homem aranha.

Saber de Renée Magretti e Eric Hobsbawn,
Ser fã da Jeane d’ Arc, Weezer, Manu Chao
Ter a experiência da plurimulticultaralidade
E usar da experiência em prol da diversidade
Revolucionária utópica plástica vivida

Eyes eyes eyes eyes
Pulse breath
Came go
Only that
I’ll not show
Because ye all
Need to know
Te life is more
Than a amazing show

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

La isla e la verdad

Is la verdad
Is la isla
La isla de la verdad la no hay islan
Na isla de la verdad
So tiengo pouco
No hay plata
Mas hay cuba
No hay rima
Mas hay rumba
No hay chicas
Mas hay putas
Mi vida oh mi vida
Cladestino em la ciudad
En mi isla de la verdad