terça-feira, 5 de janeiro de 2010

eu não valho nada

eu não valho nada

não valho mesmo
como sempre digo, não valho uma moeda de dois.
pessoas muitas vezes não tem culpa por pesar as coisas
pesam
para bem ou para mal

eu
odeio comparações
odeio julgamentos que não sejam os meus
e, claro, me dou esse direito, como todo ser humano egoísta que habita esse magnífico planeta

mas, diferentemente de todos os outros seres humanos que habitam esse magnífico planeta
eu não valho nada
não como o Sawyer ou como o Cyrano
nem como qualquer calhorda que bate na mulher
nem como qualquer assassino que mata crianças
nem como qualquer ditador
ou como qualquer corrupto sujo e de sorriso amarelo
nem como qualquer fumante intrépido
ou como qualquer bebâdo descontrolado
nem como qualquer extremista inconsistente
nem como um defensor moralista
nem como uma mulher bonita

eu não valho nada
porque meu valor não dá para julgar
não dá para pesar
nem o seu
nem o dela
o dele
ou o Sawyer do Cyrano do calhorda do assassino do ditador do corrupto do fumante do descontrolado do extremista do defensor e da bonita
sabe, muitos caras já disseram isso antes de mim
e eles tem livros com nomes pomposos que você pode comprar na Cultura, na Saraiva, na Nobel

só tem uma pequena diferença entre eles, eu e você
é a seguinte, darling
eu também pego metrô
eu também tomo chuva
eu também fico no trânsito de São Paulo
eu também passo vontade

e aí, vejamos
eles ficam lá, com seus ideais de prateleira morta
de séculos passados
e ficamos todos nós
o calhorda, o corrupto, a mulher, o defensor
o mentiroso, o certinho, o pastor, o homem que vende algodão doce
o caixa do mercadinho.
em um mundo real
feito de pessoas e calor
sentimentos e suor

e aqui, nesse mundo, tão real quanto nós
eu preciso te mostrar que a gente não vale nada
e esquentar a cabeça assim
apenas apressa seu caminho

uma coisa é comodismo
conforto
outra coisa é aproveitar a viagem

se você sabe que não dá para pesar o valor de ninguém além de você
aprende uma coisa
filósofo não pega a linha azul
sociologia não paga as contas, a menos que você trabalhe muito
e eu, eu só estou tentando seguir viagem

ninguém vale nada nesse mundo
ninguém vale nada
ninguém nem tem peso

cada um só pode saber do seu
e, se no vislumbre, se no meio do caminho você for capaz de encontrar alguém
e por segundos, meses, dias, instantes você for capaz de fechar as mãos, olhar nos olhos e sentir (não saber) o peso
o valor daquela pessoa ali, na sua frente
então, você pode dizer de peito cheio
que já conheceu o amor


.
que já conheceu o amor.
.


o único segredo
como cego que é, depende de nós para muitas de suas proezas
mas, acredite
ele pode muito bem, levantar e, simplesmente ir embora

e quando você se remoer em julgamentos, Lispector ou Meireles
Drummond e qualquer europeu cheio de consoantes

vai ecoar meio tímido
um baque surdo
não julgue o amor
não apresse seu caminho
no fim
ele também não vale nada

e se você sentir que vale alguma coisa
se apertar o peito
se acreditar
como eu acredito, que talvez o tilintar da varinha do cego é o que rege o certo e errado do mundo
então você entenderá que nada realmente tem peso
pois não dá para julgar o amor

de todos os calhordas, canalhas, corruptos, sujos e vis pessoas do mundo
que também amam como nós
eu sou o que menos vale
eu não valho nada.
nem uma moeda de dois.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cosmic Warhog

Júpiter não se contentava com os olhos de um planeta que não podia ver. Espremia a visão pela lente dos instrumentos e nada o saciava. Sedimentos caiam do teto, continua e sinceramente, como algo que pede desculpas por incomodar. Haveria de descobrir de uma vez por todas o que estava acontecendo. O cometa aonde encontrava-se a sua in-torre, rodopiava sem destino. Desceu as escadas, e a gravidade se inverteu. Continou subindo as escadas, que vinha descendo, e chegou a uma sala ampla.

Seus cabelos tinham duas cores. Castanhos escuros como o âmbar e um laranja, entre o violeta e a violência. Amarrava-os de tal maneira por sobre a cabeça que eles pareciam estar sempre atentos, uma cauda de cabelos vigilantes. O rosto era angulado e liso. Uma capa de alta gola azul por sobre um casaco comprido, que mais parecia um roupão. Nas mãos anéis sobre ataduras e ataduras sobre marcas, como tatuagens. No peito, reluzia o peso de talismãs, rodas, chaves e formas de uma geometria sabida só à ele. Não havia pés, ou uma porção na parte debaixo do corpo, só as roupas compridas, penduradas a arrastar a poeira que insistia em cair do chão, em sentido ao teto.

Valamaris, seu irmão, chegou. Entrou. Sua presença fez o cometa entristecer. Ele corria com as palavras e as estrelas se enchiam de mágoa ao ve-lô. Era austero e coberto de toda sorte de peles de animais e outras coisas que não ele. Seus olhos fundos, velozes, fitavam, e as pessoas que os olhavam, não acordavam mais. Seus pés, descalço sob o solo, tinham 5 dedos. Suas pernas eram rajadas como listras, e sob a cabeça uma enorme ondulação, em forma de crista, descia até a nuca. Ele amarrava os cabelos negros de tal forma por sobre detrás da cabeça, que eles pareciam uma longa cauda. E seu cabelo era comprido como um anel de asteroides.

E Valamaris falou com Júpiter.

- Não te asseguro nada. Pois, a mim só cabe correr.

Júpiter pensou no que seu irmão falava. E, sentido na frase não havia. Não havia sentido nenhum. Então, ele, que se arrumava para partir rumo ao planeta que fugia da sua vista lembrou-se que teria de viajar. E, em um instante, perguntou-se como o faria. E, logo lembrou-se que seu irmão ali estava e levá-lo ele podia. Mas, a viagem haveria de ser perigosa. Deveria então, perguntar a Valamaris, o velocista, o que achava. Mas, lembrou-se da frase do seu irmão. E descobriu que poderia ir, sem qualquer garantia. E percebeu então, que era ele também um velocista no pensamento e na audácia.

Júpiter não falava, pois sua voz estremecia os planetas e fazia as dimensões mudarem de lugar. Então, chamou Posha-loo, pois, cabia a ele falar. E Posha-loo subiu as escadas e depois desceu, e chegou a sala mais vasta e ao ver Valamaris, abaixou as orelhas como quem diz que há ter visto Valamaris. Posha-loo tinha uma pele espessa, de tom rosáceo e um nariz curto e com três narinas, e também tinha três olhos, emparelhados no campo de visão. E também tinha quatro braços, e duas caudas torcidas e enroladas. E era grande como um pequeno planeta, mas, seu corpo era de tal maneira impressionante que caberia até no espaço de uma pequena colher se, assim o desajasse. E ele disse a Valamaris.

- Júpiter que vai descer ao mundo além da vista.

Veio Valamaris e tocou nos ombros do irmão, e como uma explosão silenciosa e tão forte e rápida que até mesmo a realidade demora a encontrá-la, eles sumiram. Um grande estrondo estremeceu a asteróide da in-torre. E ele, de tristeza, pois os celestes se enchem de mágoa ao ver Valamaris, o corredor, rachou-se. E Posha-loo voltou-se para a lacuna de onde viera e sorriu.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

19:17

ecoou como o Shadhishivartha
quem é você?

ecoou como o Shadhishivartha.
como o Unabomber.
como todos os vincos nas dobras de páginas.

ecoou.

e me precipitei-me.
como um khazad-dum.
e cai eternamente.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Galo das seis e meia, ou duas e quatro.

enquanto todos dormem, eu escrevo
porque é melhor assim
minhas idéias turbulentas não correm o risco de poluir os seus sonhos
e meus sonhos palavreados não correm o risco de serem poluídos por suas idéias barulhentas

são paulo é uma cidade de vermes
mas, não contei ainda, por isso ninguém sabe
não vermes de cadáver
vermes que consomem, engordam, são cegos, gulosos, famintos, feios, não olham para o céu
São Paulo é linda
a nova yorque do terceiro mundo com o perdão gramatical bem concedido

é a carta de alforria para uma infinidade de vidas
é o poço descabido de balde para uma avalanche de nomes

agora, enquanto uma grande porção dorme
eu escrevo
porque é esse mundo que as palavras habitam
porque, elas não são mudas, como hão de pensar

são sonoras, chatinhas, bobagentas
mas, adoram companhia e café
algumas tem um ar blasé, como ferrorama
outras, como listrado, simplesmente gostam de aparecer
mas, fato, corrente, elo e grilhão, estão sempre aí

elas brincam comigo se eu brincar com elas
o que é justo, é justo
é a lei dos Deuses

até agora, eu tinha lido uns versos que diziam assim:
"Esmagar o mundo com as sandálias calçadas sob seus pés"
faço isso tudo ao contrário
"Desesmago a unidade sem as palavras descalçadas abaixo de minhas mãos"
bonito, né?

isso não é um poema
embora pareça
e também não é um texto
embora pareça

lembrei de outra frase.
Raul, o Seixas, aquele que pedem para tocar:
"Se é mel, não posso afirmar com toda certeza, que parece mel, tem cheiro de mel e gosto de mel, isso eu posso afirmar"
Já reparou como todo mundo olha TV
ninguém assiste a TV
que você faz? perguntam
to assistindo TV
não, tá olhando a TV
no máximo, assiste a vida passar entre os comerciais

entende?

careço de uma falta de compreensão profunda
entende, isso não é uma cilada silábica, é sinceridade injetada numa construção
é, realmente uma cidade de vermes
zumbis, sonâmbulos.

salvem-se todos.
lembrei de trezentos filósofos agora.
não os de Esparta, mas, pelo menos de dois gregos
sócrates e Platão.
e as caixas altas e baixas são propositais
as
vezes
como agora, eu provo que sou mais inteligente do que pareço

porque pareço ser um completo idiota
uma anta de galochas
mas, não sou.
sinto muito

Os deuses forjaram meu espírito assim
livre
montador
desmontador
uno e vuno
tal qual mundos e fundos
que, no momento, não disponho.

uma triste conclusão de neurônios.
sabe o que me faz perder a cabeça?
as mulheres.

é tão prazeroso assim para vocês pensar nas mulheres? ou nos homens? ou vice e versa?
para mim é.
e não é sexual, latente, lascivo, embora, as vezes seja
é natural, enigmático, envolvente.

hmmm... como sinto prazer em pensar nas mulheres
hoje, uma lótus no metrô
ou um sorriso sincero a distância
amanhã, o mundo
uma dimensão

não é a toa que o Conan tem aquela cara, sabia?
Ele é Cimério. Deflorava mulheres como quem come de talher
E comia com as mãos. Em ambos os casos.

Poesia é uma arte.
isso, isso é um amontado de palavras.
poupe seu tempo preocupando-se com você.

Me diz, quantos anos você tem?
O que faz da vida?
O que quer realmente fazer?

Se tivessemos uma régua estariamos todos, sempre, na mesma distância de obter nossos sonhos
pensa bem, seus maiores sonhos
agora, pensa nos maiores sonhos da sua irmã, melhor amiga, avó, ex-namorado, detento do carandiru
pega uma régua imaginária,
mede.

viu?
mesma distância.

hoje em dia, ninguém se preocupa mais em decifrar as coisas
sejam as mulheres
o dia, as nuvems, as pessoas, ou as palavras
ninguém decifra nem a si mesmo

eu me permito tentar
minha esfínge pessoal adora me pregar peças
mas, como as palavras, o que é justo é justo.

Qual a distância dos seus maiores sonhos? De coração...
E, o que é justo para você?

Viu. Entendeu agora, né?
São Paulo é uma cidade de vermes.
não por injustiça, imposição social, temporal ou cultural.

é falta de olhar para o céu.
ou no peito
e se encantar com as estrelas.

Não sou de falar de sentimentos
mas, eu amo certas coisas.
como a incrível habilidade de se fascinar.
amo, e sinto um incrível prazer.

como faço ao brincar com as palavras
ao pensar sobre as mulheres.

Enquanto eu escrevo
todo mundo dorme.
Será que alguém abre o olho porque o dia raia?
não.

Viu?
Você é mais esperto do que parece.
Boa sorte, você vai precisar.

Olha, não esquece a régua.
não esquece o sonho.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Diáspora



é um conjunto de coisas
é vontade
falta de explicação
acontecimentos e não acontecimentos
é necessidade de explicação
e falta de um conjunto de coisas
não sem mede
não se entende
não se pede
se tem ou não
se confia
e se resigna
sabendo que existem males que vem para bem

ainda não perdi os dedos
a esperança devastadora de um único homem
vou, sim, porque, a estrada brilha com meu nome por entre os montes
mas, volto, com novidades para cantar
com canções maiores e mais belas
vivo
e com fé
e com todas essas coisas abstratas que não se entende, não se explica
se crê
no amor, no universo, na música
em você
e, em mim mesmo.

até breve.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Firaga Blizzaga e Acordeon

Hoje minha banda predileta de outro país faz show em São Paulo.
eu não vou.
já fui.
Foi um dos melhores shows da minha vida.
sozinho, dancei e pulei e gritei tanto que no final, cai exausto no show. Levantei só uns 10 minutos depois que a galera tinha começado a ir embora.
Amo a música que eles fazem.
Mas, no momento, não disponho da módica quantia de 60 reais e uma lata de leite em pó para apreciar o show.
Gostaria de entrevistar Eugene, que, além de grande frontman é um dos meus ídolos. O cara fugiu de Chernobyl com 13 anos e, passando por trocentos lugares ao redor do mundo, sobreviveu. E sobrevive, e faz o que gosta e vive disso.
Um puta ucraniano gente fina!
Mas, tem coisas e coisas na vida. Algumas a gente pode fazer, outras, infelizmente, não pode.
Eu não posso fazer uma viagem cruzando todos os estados do Brasil.
Não posso cruzar todas as fronteiras dos países, se eu decidir desembarcar na França e seguir de moto até Bangladesh.
Não posso escrever meus textos e viver pura e simplesmente disso.
Não posso convencer todas as pessoas do mundo, ou da linha verde do metrô, que cara feia não leva a nada e que seria muito melhor começar o dia bem, disposto a conversar e conhecer gente nova.
Não posso tomar sol quando está calor.
Ou chuva quando chove.
Não posso assistir aulas na Escola Livre de Cinema, no MIT ou na Universidade Federal de Santa Catarina, simplesmente porque gosto de determinado assunto.
Não posso andar armado com armas brancas não letais com lâminas maiores de 10 cm.
Não posso comer o meat balls do Subway sem ficar com azia.
Tem coisas nessa vida que a gente pode e coisas que não pode fazer. E isso, pra te dizer a real, really sucks!
O Gogol vai voltar outras vezes, porque o Eugene adora o Brasil.
Eu ainda vou ganhar dinheiro suficiente para realizar todas as outras vontades, sem ter qualquer tipo de problema.
O lanche do Subway eu vou continuar comendo, mesmo ficando com azia, porque azia não mata e se matasse, morria, ao menos, de barriga cheia.
Já as pessoas emburradas da linha verde do metrô e do mundo, bem, não se pode ter tudo.
Quem sabe daqui a muitas encarnações os espíritos sejam mais livres, como os pensamentos são, e neste claustro de observar, pensar, agir e fazer, realizar seja o verbo de ação. Realizar.
Intransferível como bilhete único.
Poderoso como uma chuva às 18h em São Paulo.
E meu reino, todo ele, por um centavo de mulher.
"I bet you look good on the dancefloor..."

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

dia 1 tomada 22, claquete, ação!

hoje eu faço aniversário.
aniversário é bom, porque a gente chega a um monte de conclusões e faz mas um monte de coisa na cabeça.
cheguei a várias conclusões.
a primeira é que sou importante para as pessoas na mesma proporção que as pessoas são importantes para mim.
quem gosta muito de mim me ligou.
quem não pode ligar, mandou mensagem.
uns até reclamaram da falta de abraço.
quem não pode reclamar, só deu parabéns.

ganhei poucos, mas, bons presentes.
fiquei muito feliz com todos eles.
pelo que as pessoas desejam e falam de mim, descobri muitas coisas.
devo ser um cara legal, embora um pouco idiota.
falaram do meu sorriso e, eu nem sorrir sei, devem haver de ter confundido com a risada.
pelos meus dotes culinários e beberísticos, brigadeiro, doce, conhaque e cerveja devem estar facilmente associados a minha figura. mesa farta!
deve ser alguma coisa no meu cabelo, ou as mulheres começaram a me achar mais interessante?

quanto mais sinto saudades dos meus irmãos, mais eles importam na minha vida.
todo vez que falo obrigado, falo de coração.

e, o mais importante, o importante mesmo, é ser feliz e amar a vida.
porque em gratidão, ela vai te amar de volta. e, quando a vida te ama, é como se você fizesse aniversário.
ainda não dormi, então, ainda estou no primeiro dia desse novo ciclo.

tenho um pedido a fazer.
tenho tantos.
mas, vou pedir um, que, eu acho que vai ser bom.
é uma coisa que eu quero e vai me deixar feliz.
de, resto, é só repetir o que eu mais disse nesse dia, e, provavelmente, vou dizer em todos os dias que ficar feliz como estou agora.
obrigado.