Como ainda não escrevi sobre isso?
Como ainda não escrevi.
Dei o passo, mãe.
Dei o passo. Sou só eu. Eu e a noite escura, cheia ou não de terrores.
Quanto lágrima ainda tem guardada aqui, mãe.
Não sei, não. Não sei te dizer. Não acho que é mágoa, é só tristeza. Coisa de criança.
Como o tempo passa, né, mãe.
Como a vida vai levando a gente.
Não sei bem onde cheguei não. Tô bem. As vezes acho que tô bem, as vezes acho que tô mal. Faz parte, mãe, faz parte.
Aprendi tudo? Será? Trabalhar tanto, trabalhar muito. Trabalho, trabalho, trabalho. Tô ficando mais próximo dele ou ficando mais longe de mim, mãe.
Quanto tempo que eu não escrevo. Que não sai um verso dessa língua seca. Pensei naquele poema de muitas vidas outro dia. Mas faz tanto tempo, já tô perdendo o tato.
"Tem coisas que aconteceram faz tanto tempo
que parece que foi em outra vida. Com outra pessoa, outro você. Mas aí um cheiro, uma lembrança de leva de volta, e de repente é como se tudo não passasse de um filme. Que maus atores somos nós"
Não era bem assim. Mas memória nunca foi o forte. Cruzei. E agora. Cruzar os outros e cruzar, zarpar. Viver a existência assim, nesse barco de sonhos.
Agradeço todo dia, mãe. Pelo meu dia-a-dia, pela minha vida, por minha família, meus amores, você. Porque eu sei reconhecer que o presente é o maior presente da vida. Com o perdão da piada ruim.
Tô sozinho não, mãe. Tem meu irmão aí, meus irmãos. Que abraço bom, de amor, de carinho. Vai ser um bom homem, mãe. Vou cuidar dele. Pode ter certeza, vou cuidar com a minha vida, como você fez conosco.
Não tenho mais medo de E.T, não tenho medo de nada, mãe. De escravidão, de morte. A loucura ainda me assusta, mãe. Mas eu não vou enlouquecer, não, mãe. Meu coração é forte demais, mãe. Bate-bate-bate. Vai me guiar sempre. Regular meu passo, mostrar o caminho, e vou agradecendo. Vou vivendo as pequenas coisas mãe. Quero dar valor. Usar o que eu aprendi.
perdoa se te desapontei mãe. perdoa se te desapontei pai. Amo vocês.
Dei o passo, mãe. Faz uma semana, um mês, 10 anos que dei o passo, mãe. E não me arrependo não. Era meu caminho. Era pra ser, tá sendo. Vou ser o Corto Maltese. Vou ser melhor que ele, mãe. Vou ser melhor que ele.
O mundo é meu quintal mãe, vou fazer valer cada lágrima que você derramou. A vida que você dedicou para nós criar. Todas, todas as horas de trabalho do pai. Que nada nunca me faltou. Sou guerreiro, mãe. Vou vencer.
Uns dizem que eu tenho sorte, mãe. Pode ser, sempre se precisa de um pouco de sorte. Mas eu sei que não é só isso, não. Tá no sangue, mãe. Tá escrito na wyrd.
Se alguma coisa mudar, se tudo mudar. Se alguém fizer a viagem. Quem fica canta a canção. Segura a saudade. Toca a bola. E agradece. O presente é nosso maior presente, mãe.
Minha vida é meu maior presente. É só é minha graças à vocês.
Muito obrigado. Hora de enxugar lágrima, ir dormir. Trabalhar. Tá na hora mãe, e eu já dei o primeiro passo.
Obrigado por abrir a porta, por me deixar entrar. E sair. Vou ali, vou vencer e já volto.
o sangue é forte, a árvore é firme.
o amor eterno e o lobo é só.
Sou eu.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Não nasci para ser escritor
Não nasci para ser escritor. Sou privado destas nuâncias de citações escalafobêticas de gente que já morreu, dessa misan cêne toda (ia escrever savoir affair, mas como não sei o que este último quer dizer troquei para misan cêne, que dá na mesmissíma coisa), desse jeito rococô e de títulos como cronista, avaliador e sinceras críticas sem pretensão.
Talvez me falte também a organização e disciplina necessárias à função, mas como essas duas seriam falhas minhas e não nenhum exemplo do meu status de “comosoubacana” vou deixar estas de lado.
Eu não deveria ter muita moral para criticar nada, afinal, sou dono de quê? Dois blogs meio nefastos com textos que tem mais erros de português do palavras, dois livros-revista que escrevi para a Escala a custo de nada, com marmitas nem tão recheadas e um editor o tanto quanto chato, merecedor de murros, e muitos, em sua porquíssima face esquelética. Não te esqueci não, paguá.
Ahn, claro, não posso esquecer também da irremedável cobertura entreto-jornalística de alguns reality shows de uma emissora de primeira (e um da, de fato, emissora de primeira). Uma parte de mim diz que não deveria ser tão ruim assim, mas sabe como é, ambição tem esse quê de sucrilhos.
Ou se come com leite ou não se come direito. Sucrilhos seco? Seu filhinho de vó. Revolucionário de condomínio fechado. Filho único.
Sou assim, tenho rompantes e quem não os tiver que atire o primeiro baluarte no meu teto. Zinco. Será que teria eu, também, oras, pois, por que não, telhas Tigre. Turma sagaz para propagandas, hein? clap. Clap. clap.
Enfim, senhores, estamos aqui, em um hotel, longe de casa, com os ecos de um 0x0 entre Corinthians e Santos e nem de futebol eu gosto. Mas, como narra mal este Cléber Machado, hein? Deus me salve. Pronto. Mute. Tudo é belo novamente.
Enfim, voltando lá ao trezeguet que eu soltei no começo, acho que não nasci para ser escritor, editor e coisas desse tipo. O problema é que eu encafifei com a dita ideia e ela não me sai da cabeça nem com banho de gasolina. Hei de vencer pela teimosia, esta. Graças, desde criança eu tenho de sobra.
Vamos então teimosiar a vida, porque, se no fim, bater as botas assim de escanteio, me esgarranchar antes que o buraco negro sugue destas bandas toda a vida, vou poder dizer, olha, posso não ter sido o escrevinhador mais sagaz do mundo, mas, vá lá, se não fui o mais teimoso.
Isso deveria era valer prêmio. Vale-refeição, sei lá. Enfim, tamos que tamos. Olha lá o impedimento irregular. Na dúvida, é sempre melhor arriscar.
Talvez me falte também a organização e disciplina necessárias à função, mas como essas duas seriam falhas minhas e não nenhum exemplo do meu status de “comosoubacana” vou deixar estas de lado.
Eu não deveria ter muita moral para criticar nada, afinal, sou dono de quê? Dois blogs meio nefastos com textos que tem mais erros de português do palavras, dois livros-revista que escrevi para a Escala a custo de nada, com marmitas nem tão recheadas e um editor o tanto quanto chato, merecedor de murros, e muitos, em sua porquíssima face esquelética. Não te esqueci não, paguá.
Ahn, claro, não posso esquecer também da irremedável cobertura entreto-jornalística de alguns reality shows de uma emissora de primeira (e um da, de fato, emissora de primeira). Uma parte de mim diz que não deveria ser tão ruim assim, mas sabe como é, ambição tem esse quê de sucrilhos.
Ou se come com leite ou não se come direito. Sucrilhos seco? Seu filhinho de vó. Revolucionário de condomínio fechado. Filho único.
Sou assim, tenho rompantes e quem não os tiver que atire o primeiro baluarte no meu teto. Zinco. Será que teria eu, também, oras, pois, por que não, telhas Tigre. Turma sagaz para propagandas, hein? clap. Clap. clap.
Enfim, senhores, estamos aqui, em um hotel, longe de casa, com os ecos de um 0x0 entre Corinthians e Santos e nem de futebol eu gosto. Mas, como narra mal este Cléber Machado, hein? Deus me salve. Pronto. Mute. Tudo é belo novamente.
Enfim, voltando lá ao trezeguet que eu soltei no começo, acho que não nasci para ser escritor, editor e coisas desse tipo. O problema é que eu encafifei com a dita ideia e ela não me sai da cabeça nem com banho de gasolina. Hei de vencer pela teimosia, esta. Graças, desde criança eu tenho de sobra.
Vamos então teimosiar a vida, porque, se no fim, bater as botas assim de escanteio, me esgarranchar antes que o buraco negro sugue destas bandas toda a vida, vou poder dizer, olha, posso não ter sido o escrevinhador mais sagaz do mundo, mas, vá lá, se não fui o mais teimoso.
Isso deveria era valer prêmio. Vale-refeição, sei lá. Enfim, tamos que tamos. Olha lá o impedimento irregular. Na dúvida, é sempre melhor arriscar.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Migrante
Das colinas
De lá pra cá
Pirata desprovido de nau
Encabeçado num rumo
sem brisa sem leme
O roteiro esconde
o que segue
Retorno
sempre
iminente.
Ainda vivo.
Ainda aqui.
De lá pra cá
Pirata desprovido de nau
Encabeçado num rumo
sem brisa sem leme
O roteiro esconde
o que segue
Retorno
sempre
iminente.
Ainda vivo.
Ainda aqui.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Risen
Magimodelador
como um planinauta
ou uma girafa roxa
um beija-flor escurecido pela noite
uma miríade infinita de olhos e sorrisos
tem muitas, muitas formas
curvilíneas, suaves, áspera, as vezes, como meu rosto
meu cabelo
mas, também belas, úmidas, quentes
um arfar pesado
que alivia ou aumenta a tensão
uma, duas, cinco vezes
centenas serão, milhares
os números não fazem diferença aqui
pois eles não são capazes de limitar
quantos números tem daqui até plutão?
quantos carros azuis?
nada, pode comprar aquele prazer de acordar
início de tarde
e perceber ser, eu mesmo, a única peça expressionista fora de lugar naquele momento
retrato divino
pintura renascentista
minha memória nunca foi prodigiosa
porém lembro de vários instantes
mas um permanece eterno, perene na minha mente a cada renascer do sol
lá estava ela
como Belit, como uma criatura a tocar os lençois, suavemente com as mãos
os cabelos negros contornavam seu pescoço como um colar que afaga a pele sem ruídos
o rosto, a me sorrir me olhava de lado como quem convida a transcender aos planos superiores
ascender em carinho, prazer
um caminho bem delineado
pelas escuras penas da Phoenix a indicar a direção
Me desculpem os mortais que nunca tiveram momentos memoráveis em suas vidas
Porque só eu sei o quão mágica e enebriante é essa visão.
Porque cada homem sabe da dimensão da dor que carrega.
Dos sonhos, ambições, desejos, medo e vontade.
E só eu sei, como é amar essa mulher. Um sentimento tão puro, simples, volátil, enaltecedor.
Melhor do que amar é se sentir amado em seus braços, nuca, pele, lábios.
sorriso.
olhos.
sorriso.
como dizia
grande é a variedade de formas e sensações
para aquele que sabe que o corpo físico ainda é receptáculo pequeno
porque quando me prostei de joelhos e olhei fundo nos seus olhos
aquele brilho, aquilo tudo, tomou conta de mim
e hoje meu espírito reluz
um fulgor de vida
respiração profunda
estrela cadente de amar
Se a vida, se tudo isso, faz parte do trabalho, da labuta, do processo
acho que estou na fase bônus
encantado.
As últimas encarnações não me deixaram manual de instruções. Não me avisaram dos barulhos, nem das leis e coisas das cabeças dos homens.
Mas, de certo, já me deixaram ciente.
Como você disse certa vez.
Porque se tem que ser alguém. Há de ser você.
E os gordos, bobos ou não, e os carros, o dinheiro, e o calendário não me preocupam. Não é por excesso de confiança, ou intensidade, mas é por saber, após as primeiras nove horas ou das últimas duas.
Que tudo tem seu devido momento. Seja uma reação boa ou momentânea sensação ruim. A vida é como um grande passeio na roda gigante.
E quero fazer questão de continuar aqui. Ao seu lado.
ao seu lado, Valpolicella.
...
O lobo alpha quando encontra a parceira adequada permanece fiel a ela e seus rebentos durante toda a vida. Alimentando a matilha e o clã, e exercendo a função de líder do grupo de machos enquanto a fêmea desempenha o mesmo papel entre as suas.
Eu não conheço muitos lobos. Ou lobas.
Que pena.
como um planinauta
ou uma girafa roxa
um beija-flor escurecido pela noite
uma miríade infinita de olhos e sorrisos
tem muitas, muitas formas
curvilíneas, suaves, áspera, as vezes, como meu rosto
meu cabelo
mas, também belas, úmidas, quentes
um arfar pesado
que alivia ou aumenta a tensão
uma, duas, cinco vezes
centenas serão, milhares
os números não fazem diferença aqui
pois eles não são capazes de limitar
quantos números tem daqui até plutão?
quantos carros azuis?
nada, pode comprar aquele prazer de acordar
início de tarde
e perceber ser, eu mesmo, a única peça expressionista fora de lugar naquele momento
retrato divino
pintura renascentista
minha memória nunca foi prodigiosa
porém lembro de vários instantes
mas um permanece eterno, perene na minha mente a cada renascer do sol
lá estava ela
como Belit, como uma criatura a tocar os lençois, suavemente com as mãos
os cabelos negros contornavam seu pescoço como um colar que afaga a pele sem ruídos
o rosto, a me sorrir me olhava de lado como quem convida a transcender aos planos superiores
ascender em carinho, prazer
um caminho bem delineado
pelas escuras penas da Phoenix a indicar a direção
Me desculpem os mortais que nunca tiveram momentos memoráveis em suas vidas
Porque só eu sei o quão mágica e enebriante é essa visão.
Porque cada homem sabe da dimensão da dor que carrega.
Dos sonhos, ambições, desejos, medo e vontade.
E só eu sei, como é amar essa mulher. Um sentimento tão puro, simples, volátil, enaltecedor.
Melhor do que amar é se sentir amado em seus braços, nuca, pele, lábios.
sorriso.
olhos.
sorriso.
como dizia
grande é a variedade de formas e sensações
para aquele que sabe que o corpo físico ainda é receptáculo pequeno
porque quando me prostei de joelhos e olhei fundo nos seus olhos
aquele brilho, aquilo tudo, tomou conta de mim
e hoje meu espírito reluz
um fulgor de vida
respiração profunda
estrela cadente de amar
Se a vida, se tudo isso, faz parte do trabalho, da labuta, do processo
acho que estou na fase bônus
encantado.
As últimas encarnações não me deixaram manual de instruções. Não me avisaram dos barulhos, nem das leis e coisas das cabeças dos homens.
Mas, de certo, já me deixaram ciente.
Como você disse certa vez.
Porque se tem que ser alguém. Há de ser você.
E os gordos, bobos ou não, e os carros, o dinheiro, e o calendário não me preocupam. Não é por excesso de confiança, ou intensidade, mas é por saber, após as primeiras nove horas ou das últimas duas.
Que tudo tem seu devido momento. Seja uma reação boa ou momentânea sensação ruim. A vida é como um grande passeio na roda gigante.
E quero fazer questão de continuar aqui. Ao seu lado.
ao seu lado, Valpolicella.
...
O lobo alpha quando encontra a parceira adequada permanece fiel a ela e seus rebentos durante toda a vida. Alimentando a matilha e o clã, e exercendo a função de líder do grupo de machos enquanto a fêmea desempenha o mesmo papel entre as suas.
Eu não conheço muitos lobos. Ou lobas.
Que pena.
domingo, 4 de julho de 2010
vide-bula
Eu gostaria que fosse diferente
Mas não é
Eu gostaria
Mas não é
Eu queria passar por cima de tudo
Mas não dá
Eu queria
Mas não dá
Eu queria pegar todos os resultados dos exames e rasgar
Mas não dá
Eu queria
Mas não dá
Eu queria pegar todo o dinheiro que tenho
E sacar
E gastar
E correr
E gritar
Mas, adivinha?
Não dá.
Eu queria pegar todos os remédios.
E tomar.
Mas, também não dá.
Então eu escrevo.
E minha máquina de escrever "tilinta", sem parar.
Porque só eu sei a dor que carrego.
E não dá para carregar.
Não dá.
Mas não é
Eu gostaria
Mas não é
Eu queria passar por cima de tudo
Mas não dá
Eu queria
Mas não dá
Eu queria pegar todos os resultados dos exames e rasgar
Mas não dá
Eu queria
Mas não dá
Eu queria pegar todo o dinheiro que tenho
E sacar
E gastar
E correr
E gritar
Mas, adivinha?
Não dá.
Eu queria pegar todos os remédios.
E tomar.
Mas, também não dá.
Então eu escrevo.
E minha máquina de escrever "tilinta", sem parar.
Porque só eu sei a dor que carrego.
E não dá para carregar.
Não dá.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
J (Zeger)
Ela não me quis porque eu tenho uma barba, grande e malfeita que não deve ser coisa de gente bem afeiçoada.
Ela não me quis porque minhas roupas não combinam, não são da moda, porque eu uso chapéu e porque minha jaqueta está manchada de cândida.
Ela não me quis porque eu cheiro a bebida barata e desodorante vagabundo, e perfume? Bem, nem perfume eu uso.
Ela não me quis porque eu falo muito e a moda hoje é falar pouco e ter ar de mistério.
Ela não me quis porque eu danço com a elegância daqueles que não fazem questão de serem vistos e porque tenho mais de 1m90.
Ela não me quis porque meu papo sobre astrologia e as verdades da vida parece conversa fiada.
Ela não me quis porque sou pobre, feio, pé-rapado, xavequeiro de merda que nem tem onde cair morto.
Ela não me quis, principalmente, porque ela não me conhece.
.
E é preciso conhecer para se desejar de verdade.
.
Ela não me quis... porque ela não leu essa poesia.
Ela não me quis porque minhas roupas não combinam, não são da moda, porque eu uso chapéu e porque minha jaqueta está manchada de cândida.
Ela não me quis porque eu cheiro a bebida barata e desodorante vagabundo, e perfume? Bem, nem perfume eu uso.
Ela não me quis porque eu falo muito e a moda hoje é falar pouco e ter ar de mistério.
Ela não me quis porque eu danço com a elegância daqueles que não fazem questão de serem vistos e porque tenho mais de 1m90.
Ela não me quis porque meu papo sobre astrologia e as verdades da vida parece conversa fiada.
Ela não me quis porque sou pobre, feio, pé-rapado, xavequeiro de merda que nem tem onde cair morto.
Ela não me quis, principalmente, porque ela não me conhece.
.
E é preciso conhecer para se desejar de verdade.
.
Ela não me quis... porque ela não leu essa poesia.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Meu olhar
Que saudade.
Meu olhar é difusão.
É um estrabismo descabido
meio olho no passado, meio olho no futuro
e um par de retinas no presente que se transforma
em passado e em futuro mais rápido do que eu posso acompanhar
meu olhar as vezes é para dentro
que, por mais engraçado que pareça, costuma ter mais luz e claridade do que o lado de fora
mas, é para a "externidade" também
gostaria tanto de que meu olhar tornasse-se também um par de ouvidos
para ouvir todos e entender e viver pelos olhares dos outros
um momento, um dia, um sol
por isso eu não gosto de óculos escuros, ou lentes, ou tudo mais que desfoque o olhar
gosto do brilho, do pulsar, e da coceira de manhã
do cansaço, do pesar das pupilas, das pontadas e do ardor
porque, já me ensinaram uma vez:
saber olhar é mais importante do que saber viver
a vida não passa de um feixe de luz
e cada dia, é uma piscadela separadora de cores
e nesse rodopiante caledoscópio cromático
eu adotei a ótica do bem viver
olhe para isso como se não fossem palavras
veja seus olhos que a cegueira jamais roubará.
Meu olhar é difusão.
É um estrabismo descabido
meio olho no passado, meio olho no futuro
e um par de retinas no presente que se transforma
em passado e em futuro mais rápido do que eu posso acompanhar
meu olhar as vezes é para dentro
que, por mais engraçado que pareça, costuma ter mais luz e claridade do que o lado de fora
mas, é para a "externidade" também
gostaria tanto de que meu olhar tornasse-se também um par de ouvidos
para ouvir todos e entender e viver pelos olhares dos outros
um momento, um dia, um sol
por isso eu não gosto de óculos escuros, ou lentes, ou tudo mais que desfoque o olhar
gosto do brilho, do pulsar, e da coceira de manhã
do cansaço, do pesar das pupilas, das pontadas e do ardor
porque, já me ensinaram uma vez:
saber olhar é mais importante do que saber viver
a vida não passa de um feixe de luz
e cada dia, é uma piscadela separadora de cores
e nesse rodopiante caledoscópio cromático
eu adotei a ótica do bem viver
olhe para isso como se não fossem palavras
veja seus olhos que a cegueira jamais roubará.
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