Que saudade.
Meu olhar é difusão.
É um estrabismo descabido
meio olho no passado, meio olho no futuro
e um par de retinas no presente que se transforma
em passado e em futuro mais rápido do que eu posso acompanhar
meu olhar as vezes é para dentro
que, por mais engraçado que pareça, costuma ter mais luz e claridade do que o lado de fora
mas, é para a "externidade" também
gostaria tanto de que meu olhar tornasse-se também um par de ouvidos
para ouvir todos e entender e viver pelos olhares dos outros
um momento, um dia, um sol
por isso eu não gosto de óculos escuros, ou lentes, ou tudo mais que desfoque o olhar
gosto do brilho, do pulsar, e da coceira de manhã
do cansaço, do pesar das pupilas, das pontadas e do ardor
porque, já me ensinaram uma vez:
saber olhar é mais importante do que saber viver
a vida não passa de um feixe de luz
e cada dia, é uma piscadela separadora de cores
e nesse rodopiante caledoscópio cromático
eu adotei a ótica do bem viver
olhe para isso como se não fossem palavras
veja seus olhos que a cegueira jamais roubará.
terça-feira, 27 de abril de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Coordenadas
Roda,
como um planeta
gira devagar
sem cair
sem tentar
mostra
que existe muito mais
do que um titubear de passos
um engasgo de sílabas
duas riscadas de compasso
Muda,
como as fases da lua
como uma palavra surda
sem voz para desamarrar
como era tempo
como um contratempo
bússola
sonar
Vem,
vem comigo
vou te mostrar
que a vida
é um imenso bambolê
cabe a cada um
brincar
num eterno jogo de cintura
dias após dia
sonhar
como um planeta
gira devagar
sem cair
sem tentar
mostra
que existe muito mais
do que um titubear de passos
um engasgo de sílabas
duas riscadas de compasso
Muda,
como as fases da lua
como uma palavra surda
sem voz para desamarrar
como era tempo
como um contratempo
bússola
sonar
Vem,
vem comigo
vou te mostrar
que a vida
é um imenso bambolê
cabe a cada um
brincar
num eterno jogo de cintura
dias após dia
sonhar
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Yellowsilver
tá de rasgar o peito, tchôna
de rasgar o peito.
acho que se pá
tô morrendo por dentro
ou já morri
de rasgar o peito.
acho que se pá
tô morrendo por dentro
ou já morri
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Refina-me
Tem dias que eu me faço pouco
e tem dias que eu me faço farto
como aquele agradecimento sincero
como um impulso incontrolável
besta-fera
peste do samba
para mim, tudo gira numa imensa ciranda de letras
e no final, eu não consigo ir no cavalinho azul
eu preferia a motinho preta
mas, ela tá sempre ocupada
Que o Devorador de sonhos consuma-te
ocupador da motinho preta
que nessa supra de egoísmo crayon
eu quero tudo que é meu de direito
liberdade além do papel
desejo mais que tudo
realidade ao alcance dos dedos
desejo mais que tudo
aquele punhado de beijos
a morte das mentiras
seu cheiro
outro dia sonhei contigo
é
você me abraçava tão forte
tão forte
e tudo era seu cheiro
exuberante como sempre foi
orquídea da minha vida
se você soubesse
ai, se você soubesse
quem sabe, se você soubesse, aquele abraço não tardaria tanto a chegar
nem me escuta mais
nem lembra do tom da minha voz no telefone
das músicas
foi como em um dia
muito lindo
todo mundo sabe que eu não sou uma fortaleza de aço
só para os tolos sou um totem impenetrável
mas, ninguém sabe meu segredo
não é uma lista de palavras vazias
nem dicionário
nem cidade com nome de fruta
tem dias, que me falta clareza
e me sobra sonho
de pegar com a mão
colocar na casquinha e tomar feito sorvete
mas, mesmo depois de uma anomalia temporal
de uma tempestade de aranhas tecelãs da terceira era
é seu cheiro
e o meu segredo
plantado no meu coração
não há doutor que cure meu mal
vivo assim
refina-me
e me conduz para essa lágrima
doce feito o argil do ferro
sobra saudade e sal
refina-me
e me arremessa como pássaro
defenestra-me para além da motinho preta
porque eu sou assim
e meu mal é não querer a mim
refina-me
para que eu possa olhar além
de Rá-Amon
da cúpula do trovão
das cicatrizes do seu coração
sabe, quando a Julia canta
quando ela canta macia no meu solo
Julia, meu amor
só teu grave consola meu afeto
de resto
noite, tsuki, rede de segurança e deserto
refina-me
refina me
até que o sol se separe
e tem dias que eu me faço farto
como aquele agradecimento sincero
como um impulso incontrolável
besta-fera
peste do samba
para mim, tudo gira numa imensa ciranda de letras
e no final, eu não consigo ir no cavalinho azul
eu preferia a motinho preta
mas, ela tá sempre ocupada
Que o Devorador de sonhos consuma-te
ocupador da motinho preta
que nessa supra de egoísmo crayon
eu quero tudo que é meu de direito
liberdade além do papel
desejo mais que tudo
realidade ao alcance dos dedos
desejo mais que tudo
aquele punhado de beijos
a morte das mentiras
seu cheiro
outro dia sonhei contigo
é
você me abraçava tão forte
tão forte
e tudo era seu cheiro
exuberante como sempre foi
orquídea da minha vida
se você soubesse
ai, se você soubesse
quem sabe, se você soubesse, aquele abraço não tardaria tanto a chegar
nem me escuta mais
nem lembra do tom da minha voz no telefone
das músicas
foi como em um dia
muito lindo
todo mundo sabe que eu não sou uma fortaleza de aço
só para os tolos sou um totem impenetrável
mas, ninguém sabe meu segredo
não é uma lista de palavras vazias
nem dicionário
nem cidade com nome de fruta
tem dias, que me falta clareza
e me sobra sonho
de pegar com a mão
colocar na casquinha e tomar feito sorvete
mas, mesmo depois de uma anomalia temporal
de uma tempestade de aranhas tecelãs da terceira era
é seu cheiro
e o meu segredo
plantado no meu coração
não há doutor que cure meu mal
vivo assim
refina-me
e me conduz para essa lágrima
doce feito o argil do ferro
sobra saudade e sal
refina-me
e me arremessa como pássaro
defenestra-me para além da motinho preta
porque eu sou assim
e meu mal é não querer a mim
refina-me
para que eu possa olhar além
de Rá-Amon
da cúpula do trovão
das cicatrizes do seu coração
sabe, quando a Julia canta
quando ela canta macia no meu solo
Julia, meu amor
só teu grave consola meu afeto
de resto
noite, tsuki, rede de segurança e deserto
refina-me
refina me
até que o sol se separe
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Homens amargos como eu
Homens amargos como eu sabem das voltas que a vida dá
Homens amargos como eu sabem das voltas que a vida dá
Homens amargos como eu sabem das voltas que a vida dá
Oh Deuses, por que?
Por que gira tão devagar?
Homens amargos como eu sabem das voltas que a vida dá
Homens amargos como eu sabem das voltas que a vida dá
Oh Deuses, por que?
Por que gira tão devagar?
domingo, 17 de janeiro de 2010
Encourse
Bem depois de onde se vê
logo ali aonde não se alcança
Sutis toques de violência
envolvidos em devastadora esperança
O tempo e caminhar
cada rota que o mundo dá
Nem tudo é sentido
simples como respirar
Logo ali aonde não se alcança
bem depois de onde se vê
um escudo de contra-vontades
o desejo e o viver
a mais maravilhosa jornada
perdida em um momento
o mais belos dos olhares
impetuoso contra o vento
sons, passos, cavernas e encostas
eu, eterno apaixonado
você, variável incógnita
unidade é um recado esquecido
diversidade um brinde bem-vindo
austero eu caminho comigo
velejar seus sonhos
meu novo destino
aportar em pensamentos
sem saques ou espólios
meritório
tudo na vida é meritório
matter of fact
seu território
ao contrário
contraditório
instigar
não é de hoje
irrisório
reduzir amplitude em palavras
falatório
conduzir cavalos com amarras
dispensável
minha conquista
incalculável
assim, naturalmente
logo ali
bem depois
de onde se vê
aonde não se alcança
minha alma
magneticamente se encanta
recompensa tão aguardada
vindoura lembrança
logo ali aonde não se alcança
Sutis toques de violência
envolvidos em devastadora esperança
O tempo e caminhar
cada rota que o mundo dá
Nem tudo é sentido
simples como respirar
Logo ali aonde não se alcança
bem depois de onde se vê
um escudo de contra-vontades
o desejo e o viver
a mais maravilhosa jornada
perdida em um momento
o mais belos dos olhares
impetuoso contra o vento
sons, passos, cavernas e encostas
eu, eterno apaixonado
você, variável incógnita
unidade é um recado esquecido
diversidade um brinde bem-vindo
austero eu caminho comigo
velejar seus sonhos
meu novo destino
aportar em pensamentos
sem saques ou espólios
meritório
tudo na vida é meritório
matter of fact
seu território
ao contrário
contraditório
instigar
não é de hoje
irrisório
reduzir amplitude em palavras
falatório
conduzir cavalos com amarras
dispensável
minha conquista
incalculável
assim, naturalmente
logo ali
bem depois
de onde se vê
aonde não se alcança
minha alma
magneticamente se encanta
recompensa tão aguardada
vindoura lembrança
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Não quero mais seus dentes
Faz tempo que eu não te via, né.
eu sei, eu sei.
Mas, sei que ela cuidou muito bem de você.
Muito melhor do que eu poderia ter cuidado, provavelmente.
Mas, você sempre foi arteira, não é?
Sempre esperando meu momento de deslize pra fugir.
Tenho até hoje as cicatrizes do seu primeiro banho. Guardo com carinho.
Você era nosso símbolo de tudo que poderia dar certo.
De tudo que tinhamos um pelo outro.
Fico me perguntando se isso também se foi. Se vai se esvair, enfraquecer.
Pessoal dizia que você era feio e sem graça, mas, era tudo mentira.
Você é adorável. Meio quietona, claro. E, tudo bem que eu só soube que você era menina depois que eu já tinha partido.
Fazer o que...
Mas, a gente conversava bastante.
E gostava de tomar sol junto.
E são dessas coisas que eu vou lembrar.
Porque eu te amo muito.
Agradeço demais a sua mãe, porque tenho certeza que ela fez de tudo para te deixar aqui.
Mas, tudo tem sua hora né.
Você veio para gente para encontrar um lugar melhor.
Agora, tenho certeza que você está no melhor lugar possível.
Não vou te mandar um beijo, porque você iria virar a cabeça e fazer aquela cara de não que só você faz.
Nem vou fazer carinho na crista, porque você também não gosta.
Vou te pegar mentalmente e te colocar no sol, ficar te olhando, olhando, pensando no que você está pensando.
E aí, quando você tentar fugir, voltar pro verde. Eu vou te deixar ir.
Para sempre.
Tchau Darwin.
Ou Darwin-Lúcia.
Fica bem.
eu sei, eu sei.
Mas, sei que ela cuidou muito bem de você.
Muito melhor do que eu poderia ter cuidado, provavelmente.
Mas, você sempre foi arteira, não é?
Sempre esperando meu momento de deslize pra fugir.
Tenho até hoje as cicatrizes do seu primeiro banho. Guardo com carinho.
Você era nosso símbolo de tudo que poderia dar certo.
De tudo que tinhamos um pelo outro.
Fico me perguntando se isso também se foi. Se vai se esvair, enfraquecer.
Pessoal dizia que você era feio e sem graça, mas, era tudo mentira.
Você é adorável. Meio quietona, claro. E, tudo bem que eu só soube que você era menina depois que eu já tinha partido.
Fazer o que...
Mas, a gente conversava bastante.
E gostava de tomar sol junto.
E são dessas coisas que eu vou lembrar.
Porque eu te amo muito.
Agradeço demais a sua mãe, porque tenho certeza que ela fez de tudo para te deixar aqui.
Mas, tudo tem sua hora né.
Você veio para gente para encontrar um lugar melhor.
Agora, tenho certeza que você está no melhor lugar possível.
Não vou te mandar um beijo, porque você iria virar a cabeça e fazer aquela cara de não que só você faz.
Nem vou fazer carinho na crista, porque você também não gosta.
Vou te pegar mentalmente e te colocar no sol, ficar te olhando, olhando, pensando no que você está pensando.
E aí, quando você tentar fugir, voltar pro verde. Eu vou te deixar ir.
Para sempre.
Tchau Darwin.
Ou Darwin-Lúcia.
Fica bem.
Assinar:
Postagens (Atom)