Magimodelador
como um planinauta
ou uma girafa roxa
um beija-flor escurecido pela noite
uma miríade infinita de olhos e sorrisos
tem muitas, muitas formas
curvilíneas, suaves, áspera, as vezes, como meu rosto
meu cabelo
mas, também belas, úmidas, quentes
um arfar pesado
que alivia ou aumenta a tensão
uma, duas, cinco vezes
centenas serão, milhares
os números não fazem diferença aqui
pois eles não são capazes de limitar
quantos números tem daqui até plutão?
quantos carros azuis?
nada, pode comprar aquele prazer de acordar
início de tarde
e perceber ser, eu mesmo, a única peça expressionista fora de lugar naquele momento
retrato divino
pintura renascentista
minha memória nunca foi prodigiosa
porém lembro de vários instantes
mas um permanece eterno, perene na minha mente a cada renascer do sol
lá estava ela
como Belit, como uma criatura a tocar os lençois, suavemente com as mãos
os cabelos negros contornavam seu pescoço como um colar que afaga a pele sem ruídos
o rosto, a me sorrir me olhava de lado como quem convida a transcender aos planos superiores
ascender em carinho, prazer
um caminho bem delineado
pelas escuras penas da Phoenix a indicar a direção
Me desculpem os mortais que nunca tiveram momentos memoráveis em suas vidas
Porque só eu sei o quão mágica e enebriante é essa visão.
Porque cada homem sabe da dimensão da dor que carrega.
Dos sonhos, ambições, desejos, medo e vontade.
E só eu sei, como é amar essa mulher. Um sentimento tão puro, simples, volátil, enaltecedor.
Melhor do que amar é se sentir amado em seus braços, nuca, pele, lábios.
sorriso.
olhos.
sorriso.
como dizia
grande é a variedade de formas e sensações
para aquele que sabe que o corpo físico ainda é receptáculo pequeno
porque quando me prostei de joelhos e olhei fundo nos seus olhos
aquele brilho, aquilo tudo, tomou conta de mim
e hoje meu espírito reluz
um fulgor de vida
respiração profunda
estrela cadente de amar
Se a vida, se tudo isso, faz parte do trabalho, da labuta, do processo
acho que estou na fase bônus
encantado.
As últimas encarnações não me deixaram manual de instruções. Não me avisaram dos barulhos, nem das leis e coisas das cabeças dos homens.
Mas, de certo, já me deixaram ciente.
Como você disse certa vez.
Porque se tem que ser alguém. Há de ser você.
E os gordos, bobos ou não, e os carros, o dinheiro, e o calendário não me preocupam. Não é por excesso de confiança, ou intensidade, mas é por saber, após as primeiras nove horas ou das últimas duas.
Que tudo tem seu devido momento. Seja uma reação boa ou momentânea sensação ruim. A vida é como um grande passeio na roda gigante.
E quero fazer questão de continuar aqui. Ao seu lado.
ao seu lado, Valpolicella.
...
O lobo alpha quando encontra a parceira adequada permanece fiel a ela e seus rebentos durante toda a vida. Alimentando a matilha e o clã, e exercendo a função de líder do grupo de machos enquanto a fêmea desempenha o mesmo papel entre as suas.
Eu não conheço muitos lobos. Ou lobas.
Que pena.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
vide-bula
Eu gostaria que fosse diferente
Mas não é
Eu gostaria
Mas não é
Eu queria passar por cima de tudo
Mas não dá
Eu queria
Mas não dá
Eu queria pegar todos os resultados dos exames e rasgar
Mas não dá
Eu queria
Mas não dá
Eu queria pegar todo o dinheiro que tenho
E sacar
E gastar
E correr
E gritar
Mas, adivinha?
Não dá.
Eu queria pegar todos os remédios.
E tomar.
Mas, também não dá.
Então eu escrevo.
E minha máquina de escrever "tilinta", sem parar.
Porque só eu sei a dor que carrego.
E não dá para carregar.
Não dá.
Mas não é
Eu gostaria
Mas não é
Eu queria passar por cima de tudo
Mas não dá
Eu queria
Mas não dá
Eu queria pegar todos os resultados dos exames e rasgar
Mas não dá
Eu queria
Mas não dá
Eu queria pegar todo o dinheiro que tenho
E sacar
E gastar
E correr
E gritar
Mas, adivinha?
Não dá.
Eu queria pegar todos os remédios.
E tomar.
Mas, também não dá.
Então eu escrevo.
E minha máquina de escrever "tilinta", sem parar.
Porque só eu sei a dor que carrego.
E não dá para carregar.
Não dá.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
J (Zeger)
Ela não me quis porque eu tenho uma barba, grande e malfeita que não deve ser coisa de gente bem afeiçoada.
Ela não me quis porque minhas roupas não combinam, não são da moda, porque eu uso chapéu e porque minha jaqueta está manchada de cândida.
Ela não me quis porque eu cheiro a bebida barata e desodorante vagabundo, e perfume? Bem, nem perfume eu uso.
Ela não me quis porque eu falo muito e a moda hoje é falar pouco e ter ar de mistério.
Ela não me quis porque eu danço com a elegância daqueles que não fazem questão de serem vistos e porque tenho mais de 1m90.
Ela não me quis porque meu papo sobre astrologia e as verdades da vida parece conversa fiada.
Ela não me quis porque sou pobre, feio, pé-rapado, xavequeiro de merda que nem tem onde cair morto.
Ela não me quis, principalmente, porque ela não me conhece.
.
E é preciso conhecer para se desejar de verdade.
.
Ela não me quis... porque ela não leu essa poesia.
Ela não me quis porque minhas roupas não combinam, não são da moda, porque eu uso chapéu e porque minha jaqueta está manchada de cândida.
Ela não me quis porque eu cheiro a bebida barata e desodorante vagabundo, e perfume? Bem, nem perfume eu uso.
Ela não me quis porque eu falo muito e a moda hoje é falar pouco e ter ar de mistério.
Ela não me quis porque eu danço com a elegância daqueles que não fazem questão de serem vistos e porque tenho mais de 1m90.
Ela não me quis porque meu papo sobre astrologia e as verdades da vida parece conversa fiada.
Ela não me quis porque sou pobre, feio, pé-rapado, xavequeiro de merda que nem tem onde cair morto.
Ela não me quis, principalmente, porque ela não me conhece.
.
E é preciso conhecer para se desejar de verdade.
.
Ela não me quis... porque ela não leu essa poesia.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Meu olhar
Que saudade.
Meu olhar é difusão.
É um estrabismo descabido
meio olho no passado, meio olho no futuro
e um par de retinas no presente que se transforma
em passado e em futuro mais rápido do que eu posso acompanhar
meu olhar as vezes é para dentro
que, por mais engraçado que pareça, costuma ter mais luz e claridade do que o lado de fora
mas, é para a "externidade" também
gostaria tanto de que meu olhar tornasse-se também um par de ouvidos
para ouvir todos e entender e viver pelos olhares dos outros
um momento, um dia, um sol
por isso eu não gosto de óculos escuros, ou lentes, ou tudo mais que desfoque o olhar
gosto do brilho, do pulsar, e da coceira de manhã
do cansaço, do pesar das pupilas, das pontadas e do ardor
porque, já me ensinaram uma vez:
saber olhar é mais importante do que saber viver
a vida não passa de um feixe de luz
e cada dia, é uma piscadela separadora de cores
e nesse rodopiante caledoscópio cromático
eu adotei a ótica do bem viver
olhe para isso como se não fossem palavras
veja seus olhos que a cegueira jamais roubará.
Meu olhar é difusão.
É um estrabismo descabido
meio olho no passado, meio olho no futuro
e um par de retinas no presente que se transforma
em passado e em futuro mais rápido do que eu posso acompanhar
meu olhar as vezes é para dentro
que, por mais engraçado que pareça, costuma ter mais luz e claridade do que o lado de fora
mas, é para a "externidade" também
gostaria tanto de que meu olhar tornasse-se também um par de ouvidos
para ouvir todos e entender e viver pelos olhares dos outros
um momento, um dia, um sol
por isso eu não gosto de óculos escuros, ou lentes, ou tudo mais que desfoque o olhar
gosto do brilho, do pulsar, e da coceira de manhã
do cansaço, do pesar das pupilas, das pontadas e do ardor
porque, já me ensinaram uma vez:
saber olhar é mais importante do que saber viver
a vida não passa de um feixe de luz
e cada dia, é uma piscadela separadora de cores
e nesse rodopiante caledoscópio cromático
eu adotei a ótica do bem viver
olhe para isso como se não fossem palavras
veja seus olhos que a cegueira jamais roubará.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Coordenadas
Roda,
como um planeta
gira devagar
sem cair
sem tentar
mostra
que existe muito mais
do que um titubear de passos
um engasgo de sílabas
duas riscadas de compasso
Muda,
como as fases da lua
como uma palavra surda
sem voz para desamarrar
como era tempo
como um contratempo
bússola
sonar
Vem,
vem comigo
vou te mostrar
que a vida
é um imenso bambolê
cabe a cada um
brincar
num eterno jogo de cintura
dias após dia
sonhar
como um planeta
gira devagar
sem cair
sem tentar
mostra
que existe muito mais
do que um titubear de passos
um engasgo de sílabas
duas riscadas de compasso
Muda,
como as fases da lua
como uma palavra surda
sem voz para desamarrar
como era tempo
como um contratempo
bússola
sonar
Vem,
vem comigo
vou te mostrar
que a vida
é um imenso bambolê
cabe a cada um
brincar
num eterno jogo de cintura
dias após dia
sonhar
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Yellowsilver
tá de rasgar o peito, tchôna
de rasgar o peito.
acho que se pá
tô morrendo por dentro
ou já morri
de rasgar o peito.
acho que se pá
tô morrendo por dentro
ou já morri
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Refina-me
Tem dias que eu me faço pouco
e tem dias que eu me faço farto
como aquele agradecimento sincero
como um impulso incontrolável
besta-fera
peste do samba
para mim, tudo gira numa imensa ciranda de letras
e no final, eu não consigo ir no cavalinho azul
eu preferia a motinho preta
mas, ela tá sempre ocupada
Que o Devorador de sonhos consuma-te
ocupador da motinho preta
que nessa supra de egoísmo crayon
eu quero tudo que é meu de direito
liberdade além do papel
desejo mais que tudo
realidade ao alcance dos dedos
desejo mais que tudo
aquele punhado de beijos
a morte das mentiras
seu cheiro
outro dia sonhei contigo
é
você me abraçava tão forte
tão forte
e tudo era seu cheiro
exuberante como sempre foi
orquídea da minha vida
se você soubesse
ai, se você soubesse
quem sabe, se você soubesse, aquele abraço não tardaria tanto a chegar
nem me escuta mais
nem lembra do tom da minha voz no telefone
das músicas
foi como em um dia
muito lindo
todo mundo sabe que eu não sou uma fortaleza de aço
só para os tolos sou um totem impenetrável
mas, ninguém sabe meu segredo
não é uma lista de palavras vazias
nem dicionário
nem cidade com nome de fruta
tem dias, que me falta clareza
e me sobra sonho
de pegar com a mão
colocar na casquinha e tomar feito sorvete
mas, mesmo depois de uma anomalia temporal
de uma tempestade de aranhas tecelãs da terceira era
é seu cheiro
e o meu segredo
plantado no meu coração
não há doutor que cure meu mal
vivo assim
refina-me
e me conduz para essa lágrima
doce feito o argil do ferro
sobra saudade e sal
refina-me
e me arremessa como pássaro
defenestra-me para além da motinho preta
porque eu sou assim
e meu mal é não querer a mim
refina-me
para que eu possa olhar além
de Rá-Amon
da cúpula do trovão
das cicatrizes do seu coração
sabe, quando a Julia canta
quando ela canta macia no meu solo
Julia, meu amor
só teu grave consola meu afeto
de resto
noite, tsuki, rede de segurança e deserto
refina-me
refina me
até que o sol se separe
e tem dias que eu me faço farto
como aquele agradecimento sincero
como um impulso incontrolável
besta-fera
peste do samba
para mim, tudo gira numa imensa ciranda de letras
e no final, eu não consigo ir no cavalinho azul
eu preferia a motinho preta
mas, ela tá sempre ocupada
Que o Devorador de sonhos consuma-te
ocupador da motinho preta
que nessa supra de egoísmo crayon
eu quero tudo que é meu de direito
liberdade além do papel
desejo mais que tudo
realidade ao alcance dos dedos
desejo mais que tudo
aquele punhado de beijos
a morte das mentiras
seu cheiro
outro dia sonhei contigo
é
você me abraçava tão forte
tão forte
e tudo era seu cheiro
exuberante como sempre foi
orquídea da minha vida
se você soubesse
ai, se você soubesse
quem sabe, se você soubesse, aquele abraço não tardaria tanto a chegar
nem me escuta mais
nem lembra do tom da minha voz no telefone
das músicas
foi como em um dia
muito lindo
todo mundo sabe que eu não sou uma fortaleza de aço
só para os tolos sou um totem impenetrável
mas, ninguém sabe meu segredo
não é uma lista de palavras vazias
nem dicionário
nem cidade com nome de fruta
tem dias, que me falta clareza
e me sobra sonho
de pegar com a mão
colocar na casquinha e tomar feito sorvete
mas, mesmo depois de uma anomalia temporal
de uma tempestade de aranhas tecelãs da terceira era
é seu cheiro
e o meu segredo
plantado no meu coração
não há doutor que cure meu mal
vivo assim
refina-me
e me conduz para essa lágrima
doce feito o argil do ferro
sobra saudade e sal
refina-me
e me arremessa como pássaro
defenestra-me para além da motinho preta
porque eu sou assim
e meu mal é não querer a mim
refina-me
para que eu possa olhar além
de Rá-Amon
da cúpula do trovão
das cicatrizes do seu coração
sabe, quando a Julia canta
quando ela canta macia no meu solo
Julia, meu amor
só teu grave consola meu afeto
de resto
noite, tsuki, rede de segurança e deserto
refina-me
refina me
até que o sol se separe
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